sábado, 16 de julho de 2011

Destinos do piruvato

O destino do piruvato depende do tipo celular e das circunstâncias metabólicas. Há 3 destinos principais para o piruvato:
(1) Organismos e tecidos aeróbicos, em condições aeróbicas – o piruvato é oxidado, com perda do grupo carboxílico, originando o grupo acetil da acetil-CoA, que depois é oxidada a CO2 durante o ciclo de Krebs;










(2) Tecidos aeróbicos em condições de pouco oxigénio (hipoxia muscular, por exemplo), alguns tecidos em condições aeróbicas (eritrócitos, por exemplo, porque não possuem mitocôndrias), ou alguns organismos anaeróbicos – o piruvato é reduzido a lactato através da fermentação láctica. Em condições de hipoxia muscular, o NADH não é reoxidado a NAD+, e o NAD+ é necessário para a glicólise. A redução do piruvato a lactato permite usar NADH como dador de electrões regenerando o NAD+;

(3) Alguns tecidos de plantas, alguns invertebrados, protistas e microorganismos, em condições anaeróbicas ou de hipoxia – o piruvato é convertido em etanol + CO2 (fermentação alcoólica).







Apesar da glicólise poder ocorrer em condições anaeróbicas, tal facto tem um preço, pois reduz a quantidade de ATP formado por molécula de glucose (passa de 30 ou 32 ATP para apenas 2!), sendo, portanto necessário oxidar mais glucose nestas condições.
O que vai acontecer ao piruvato está directamente relacionado com a quantidade de NAD+ e FAD da célula. Como essas quantidades são muito pequenas, é necessário haver mecanismos para transformar o NADH+H+ e FADH2 de novo em NAD+ e o FAD, respectivamente. Isto é feito por transferência dos electrões do NADH+H+ e FADH2 para outras moléculas, o que pode ocorrer por fermentação ou respiração. A distinção entre estes não é (ao contrário do que geralmente se pensa) o facto de um processo utilizar directamente o O2 e o outro não! O O2 é apenas necessário para a fosforilação oxidativa, e não para a oxidação do piruvato. Ao contrário dos metabolismos aeróbios que dependem do aporte de oxigénio e são limitados pela disponibilidade deste, a glicólise anaeróbia não depende da disponibilidade de oxigénio e pode aumentar de velocidade até cerca de 1000 vezes a velocidade em repouso, ou seja, os 2 ATP/glucose podem representar muitos ATP/minuto.

Principais fontes bibliográficas:
- Quintas A, Freire AP, Halpern MJ, Bioquímica - Organização Molecular da Vida, Lidel
- Nelson DL, Cox MM, Lehninger - Principles of Biochemistry, WH Freeman Publishers

34 comentários:

  1. Muito Show, faço medicina primeiro período e me ajudou bastante! Abração!

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    1. Obrigado pela visita e pelo comentário... :)
      Volta sempre!

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    2. Agora, em 2017, vi seu comentário escrito em 2012 e fiquei curiosa... Como está a faculdade? Já está terminando?

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  2. Obrigada por disponibilizar esses assuntos de forma tao simples de entender ajudou me muito (2 periodo de fisioterapia)

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    1. Olá Mayra,

      fico feliz por saber que achaste o post útil.

      Volta sempre! :)

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  3. obrigadaaaaaaaa, salvou o meu trabalho :D

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    1. Olá Angela,

      fico feliz por saber que o meu blog te ajudou. :)

      Volta sempre!

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  4. muito bom parabéns,
    ass: neto brasil

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    1. Olá Neto,

      obrigado pelo comentário e pela visita! :D

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  5. Valeuuuu me ajudou 2º periodo nutriçao.

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    1. Bom dia,

      fico feliz em saber que o post foi útil.

      Obrigado pela visita! :)

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  6. Obrigada!! Salvou meu seminário de bioquímica! (Medicina 1º período)

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  7. Você poderia fazer uma explicação das imagens? do tipo: pq você usou essas imagens? muito obrigada

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    1. Bom dia,

      as imagens que eu utilizei representam exemplos de tecidos/células que efetuam cada um dos destinos do piruvato:
      1. coração - oxidação a acetil-CoA
      2. Glóbulos vermelhos - fermentação lática
      3. Alguns microorganismos - fermentação alcoólica

      Volta sempre! :)

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  8. Adorei. PArabéns! Você poderia responder em quais pontos os ATPs (oriundos do piruvato) são fornecidos?

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    1. Bom dia,

      obrigado pelo comentário. O piruvato gera ATP nos seguintes pontos:
      1. Oxidação a acetil-CoA - produz-se um NADH por piruvato, que na respiração celular origina 2,5 ATP
      2. Ciclo de Krebs - produz-se 3 NADH, 1 FADH2 e 1 GTP (ou ATP) por piruvato; cada NADH vai originar 2,5 ATP enquanto que cada FADH2 vai originar 1,5 ATP.

      Volta sempre! :)

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  9. Muito obrigada me ajudou a entender o caminho do piruvato estou no 4º príodo de farmácia.

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    1. Olá Sarah,

      obrigado pelo comentário. :)

      Volta sempre!

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Olá , achei muito útil seu post.
    Você pode me responder, quais os destinos do piruvato formado na glicolise?
    Grata!

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    1. Olá Larissa,

      o piruvato pode sofrer 3 destinos:
      - oxidação a acetil-CoA
      - redução a lactato (fermentação lática)
      - redução a etanol (fermentação alcoólica)
      Destes 3 destinos, apenas os 2 primeiros ocorrem no ser humano.

      Volta sempre! :)

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  12. Que ótima explicação, muito obrigada!

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  13. Está me ajudando muito! Muito bem explicado, parabéns"!

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    1. Obrigado, fico feliz por saber que o blog está a ser útil. :)

      Volta sempre!

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  14. Muito simples e super explicativo, parabéns ajudou-me muito!

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    1. Olá Dorgival,

      obrigado pelo comentário, fico feliz por saber que o post foi útil.

      Volta sempre! :)

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  15. qual a importancia do figado e do pancreas para o metabolismo energetico?

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    1. Olá Tamara,

      o fígado é a nossa central metabólica do organismo. É fundamental para interligar o metabolismo dos restantes órgãos, mantendo a concentração de vários metabolitos, entre os quais a glucose. O pâncreas é o produtor de insulina e glucagon, que são as hormonas que contribuem para que a glicemia se mantenha dentro de valores normais.

      Volta sempre! :)

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  16. obrigada, ajudou me muito!!!!
    2 periodo de biotecnologia

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  17. muito bom!continue assim

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